Sexta-feira, nove da noite, dezoito postos numa sala em Lisboa. Dezasseis estão ocupados, dois miúdos esperam à porta e, ao balcão, há um caderno onde alguém apontou a lápis quem entrou a que horas: o posto 9 desde as 19h40, o posto 14 quer prolongar, o posto 3 mandou MB WAY há uma hora e já ninguém sabe se aquilo dava para meia hora ou para duas. É assim que se gere uma casa de LAN sem software de gestão. E funciona. Até mudar o turno às dez e o caderno passar a ter duas letras diferentes.

Quem aluga postos em Portugal já não vende acesso à internet. Vende máquina, cadeira e tempo. Parece uma distinção fina, e muda tudo na forma de gerir o espaço: deixou de ser um serviço de ligação e passou a ser algo mais próximo de um ginásio, com o PC no lugar do aparelho.

Onde está hoje a casa de LAN em Portugal

O cibercafé clássico, aquele de doze lugares com monitores de tubo e um relógio na parede, encolheu pela razão óbvia. A banda larga entrou em casa, o telemóvel entrou no bolso, e a fila que se formava às sete da tarde para ver o correio deixou de existir.

Encolher não é o mesmo que desaparecer.

Os espaços que ficaram vivem daquilo que o telemóvel não resolve: impressões, digitalizações, currículos formatados, fotocópias autenticadas e, sobretudo, tratar online aquilo que já só existe online. Marcações na AIMA, declarações no Portal das Finanças, pedidos na Segurança Social Direta, candidaturas a habitação. Para quem não tem impressora nem paciência para preencher formulários no ecrã de cinco polegadas, o cibercafé do bairro continua a ser o sítio onde isso se despacha numa tarde. Em Lisboa, boa parte desse movimento vem das comunidades imigrantes, e é um público que volta todos os meses.

Do outro lado cresceu outra coisa. O que voltou não foi o acesso, foi a máquina boa. Um PC com placa gráfica atual e um monitor de 240 Hz não é compra que se faça de ânimo leve, e a sala passou a ser o sítio onde se joga com equipamento que não se tem em casa. Em Lisboa há exemplos fáceis de citar: a 1UP Gaming Lounge cobra 2 € por hora de jogo, o Arcadia Gaming Center junta PC, VR, torneios e uma sala que se aluga para LAN party, e o GTC Lisboa tem doze simuladores de corrida a 6 € a meia hora.

A escala portuguesa é a parte que mais surpreende quem lê casos de outros mercados. Aqui uma casa de LAN tem tipicamente entre dez e trinta postos, não sessenta. A hora avulsa anda entre 2 € e 4 €, com valores mais altos quando há VR, simulador ou acompanhamento de treino à mistura. Com esse tamanho e esse preço, a conta faz-se posto a posto, e a diferença entre uma sala que dá lucro e uma que sobrevive costuma estar em duas coisas bastante prosaicas: quantas horas cada lugar roda por semana e quantas dessas horas ficam efetivamente cobradas.

 
Postos de jogo alinhados numa sala de jogos portuguesa ao fim da tarde

Cibercafé de bairro ou sala gamer: o que paga a renda?

De frente, os dois modelos não têm nada em comum. Um tem impressora multifunções, agrafador e pessoas com uma pasta de documentos debaixo do braço. O outro tem torres com LED, cadeiras de costas altas e um frigorífico de bebidas ao lado da porta.

Por trás, são a mesma coisa.

Nos dois casos alguém tem de saber quem está em que posto, desde que horas, com que tarifa, com que saldo, e o que aquele posto pode abrir. O utilizador que imprime um currículo em quinze minutos ocupa um lugar tal como o que joga Counter-Strike 2 durante três horas, e ao fim do dia as duas sessões têm de aparecer na mesma caixa. Essa camada de contas, tempo, tarifas e permissões é o que um software de gestão resolve.

A lista de jogos, essa, é curta e estável. League of Legends, Counter-Strike 2, Valorant, Fortnite e EA FC cobrem quase tudo o que se pede ao balcão numa casa de LAN portuguesa. O EA FC merece nota à parte: num país onde toda a gente tem equipa, um torneio interno à quinta-feira à noite enche postos que de outra forma ficariam apagados, e não custa nada organizar.

É aqui que entra o iCafeCloud, o software de gestão que fica ao balcão. Assume a parte do serviço que hoje vive no caderno.


Balcão com impressora e digitalizador usado para tratar documentos

O que o iCafeCloud trata ao balcão

O iCafeCloud é um software de gestão para cibercafés, salas de jogos, centros de jogos e espaços de eSports. Contas de cliente, cobrança ao tempo, licenças de jogos, controlo dos postos, fecho do dia. Numa casa de LAN onde convivem documentos e jogo na mesma sala, são duas tarifas a correr lado a lado sem se atrapalharem. A Youngzsoft indica mais de 3000 estabelecimentos em mais de 90 países, com apoio 24 horas por dia.

Conta do utilizador e cobrança ao tempo

Cada utilizador tem uma conta. O relógio começa quando ele entra no posto, para no fim da sessão, e o valor calcula-se sozinho. Esgotado o tempo, o posto bloqueia.

Ao balcão isto significa um ecrã em vez de dezoito. Quem está a jogar, quanto falta, quem precisa de saldo, que lugar está livre. Prolongar é um clique. E como cada sessão fica registada, ao fim do mês é possível responder se a terça à tarde é mesmo tão fraca como parece ou se simplesmente não se faz nada por ela há dois meses.

Há um pormenor que em Portugal pesa mais do que se imagina: o MB WAY. Receber por MB WAY é ótimo, conferir dezanove notificações numa sexta à noite não é (quem já fechou um turno com a aplicação do banco aberta ao lado da caixa sabe do que se trata). Saldo pré-pago resolve isto. O cliente transfere uma vez, quem está ao balcão lança o saldo na conta dele, e as sessões vão descontando sem que seja preciso abrir a aplicação a cada renovação. No fecho, o relatório bate com o extrato porque houve uma transferência e não onze.

Uma pool de licenças em vez de dezoito compras

Comprar licença de jogo para cada posto é a forma mais rápida de desfazer um orçamento. O iCafeCloud trabalha com uma pool partilhada. Quando o utilizador abre o jogo, o sistema atribui-lhe uma licença durante aquela sessão. Quando ele sai, a licença regressa à pool e vai para o seguinte.

Numa sala de dezoito lugares onde nunca mais de seis pessoas jogam o mesmo título ao mesmo tempo, a diferença na compra nota-se logo no primeiro ano.

Controlo, relatório do dia e quem volta

Iniciar sessão, terminar sessão, reiniciar, bloquear acesso: tudo a partir do posto de gestão, sem ninguém atravessar a sala. As consolas entram na mesma lógica de tempo e cobrança, o que ajuda quando há dois sofás com comandos ao lado da zona de PC.

No fecho do turno tira-se um relatório com receitas, despesas e movimento dos clientes. É a parte menos entusiasmante do sistema e aquela de que menos se abdica ao fim de três meses.

Há ainda o sistema de descontos automáticos, que dispara quando o cliente atinge um valor de carregamento ou um número de horas, e os Coin Prizes, em que o jogador acumula moedas conforme o desempenho no jogo e as troca por prémios definidos pela casa. Uma nota de quem já configurou isto: em Portugal, pendure os escalões no valor carregado e não nas horas acumuladas. O cliente português aparece ao fim de semana e carrega 20 € de uma vez. O escalão por valor apanha-o sempre, o escalão por horas quase nunca.

Vale a pena experimentar na demonstração online antes de instalar seja o que for.

 
Fluxo de uma sessão, da conta do utilizador ao bloqueio automático do posto

Idades, máquinas de diversão e dados dos utilizadores

Três coisas que em Portugal convém ter arrumadas antes de abrir uma casa de LAN ao público.

A primeira é a classificação PEGI, que vem impressa em cada jogo e é o critério que toda a gente reconhece. Numa sala com miúdos e adultos à mistura, ter presente o que está em cada máquina evita conversas difíceis com pais ao balcão.

A segunda aplica-se a quem tenha máquinas de diversão no espaço, aqueles móveis de arcada ou equipamentos registados como tal. O Decreto-Lei n.º 310/2002 obriga a registá-las junto da câmara municipal do local onde vão ser exploradas, sendo que o comprovativo do registo deve acompanhar a própria máquina. O mesmo diploma determina que o jogo nessas máquinas é interdito a menores de 16 anos, salvo quando, tendo mais de 12, sejam acompanhados por quem exerce o poder paternal. Há ainda a regra dos 300 metros: não podem ser exploradas em estabelecimento situado a menos dessa distância de escolas pré-escolares, básicas ou secundárias já existentes.

A terceira é mais discreta e mete-se em todo o lado. A ficha de cliente é composta por dados pessoais, e vale a pena decidir desde o início quem lhes acede, durante quanto tempo ficam guardados e onde estão.

Na prática, tudo isto se transforma em configuração. A ficha do utilizador leva o campo da idade, preenchido uma vez na primeira visita. Os postos ganham perfis: a fila da frente, a que fica à vista do balcão, com uma lista de jogos restringida pelas classificações, e a fila de trás com a lista completa. Quem chega com um miúdo senta-se à frente, e a decisão passa a ser tomada uma vez em vez de quarenta vezes por noite. São vinte minutos de configuração que poupam discussões a todos os turnos seguintes.

Quanto custa cada posto por mês

Façamos a conta para uma casa de LAN com dezoito postos, dez horas de funcionamento por dia.

A eletricidade em Portugal é cara e toda a gente no setor sabe disso. O preço médio do kWh em 2026 anda à volta de 0,1593 €, valor a que acrescem o termo de potência e o IVA a 23%, pelo que a fatura real de um estabelecimento fica acima disso. Um PC de jogo com placa atual puxa uns 250 W em utilização mista entre lobby, partida e pausa (monitor e periféricos ainda não entraram nesta conta), o que dá 75 kWh por posto ao fim de um mês.

Rubrica

por posto/mês

Nota

Eletricidade

cerca de 15 €

250 W, dez horas por dia,
com potência e IVA

iCafeCloud, pagamento
anual

2,00 USD

no plano mensal, 2,50
USD

iCafeCloud com CCBoot,
pagamento anual

3,20 USD

no plano mensal, 4,00
USD

Equipamento, diluído em
36 meses

25 € a 45 €

conforme a placa gráfica
e o monitor

Renda, pessoal, ligação

o resto, e é muito

é aqui que Lisboa e Porto
doem

A linha que costuma causar espanto é a do software. Um posto queima cerca de 15 € de luz por mês. O sistema que cobra a hora desse mesmo posto, atribui a licença do jogo, bloqueia o acesso e fecha as contas do dia custa uma fração disso, cobrado em dólares e por PC. Numa sala de dezoito lugares, deixar duas horas por noite por cobrar a 3 € já custa mais ao fim do mês do que as licenças da sala inteira durante um ano. Os preços por PC e por mês estão na página do produto, e o pagamento anual fica 20% abaixo do mensal.

A conta interessante, no entanto, é a que cruza custo com ocupação. Um posto que roda quatro horas por noite, seis noites por semana, a 3 € a hora, faz perto de 290 € de receita mensal contra 15 € de luz e uns cêntimos de licença. Um posto que só trabalha ao sábado inverte o resultado. Com a renda que se paga em Lisboa ou no Porto, é essa comparação, feita fila a fila, que decide se vale a pena manter a sala toda ligada à terça-feira.

A noite em que atualiza tudo ao mesmo tempo

Agora a parte que uma lista curta de jogos traz agarrada.

Counter-Strike 2, League of Legends, Valorant e EA FC não combinam entre si as datas das atualizações. Quando dois deles calham na mesma semana, alguém fica depois do fecho a percorrer a fila, a clicar em dezoito máquinas, a perceber porque é que a número 14 ficou nos 84% e a sair dali de madrugada com a sensação de ter perdido a noite. Com dezoito clientes a puxar o mesmo patch pela mesma ligação, o tempo não cresce de forma proporcional. Cresce muito mais.

É para isto que existe o CCBoot como base diskless. Os clientes arrancam pela rede a partir de um servidor e existe uma única imagem. Atualiza-se o PC mestre, reinicia-se a fila, está feito. Os postos não precisam de disco próprio, e o estado volta ao da imagem a cada arranque, o que arruma vírus e configurações mexidas pelo caminho. São mais de 30 000 estabelecimentos a trabalhar assim.

Said Werina, do Gameffect, um centro de jogos na Suécia, resume: "As a gaming centre, system-wide updates became way smoother, and sharing software between multiple PCs was no longer an issue. It also eliminated any possibility of malware, as our users are utilising our services without interruption, this means a great deal."

Um aviso prático para a primeira noite de atualização: reinicie por blocos, não os dezoito de uma vez. O primeiro arranque depois de atualizar a imagem é o que gera mais tráfego, e um switch que chega e sobra no dia a dia fica saturado nesse momento. Seis máquinas, esperar, mais seis.

E há o consumo, que numa fatura portuguesa nunca é detalhe. A Youngzsoft aponta até 40% de poupança de energia em instalações escolares com thin client. Com 15 € de eletricidade por posto e por mês, é uma percentagem que compensa recalcular com os números da própria sala.

Comece com a licença de teste, não com dezoito postos

A licença de teste está disponível a partir de 10 PCs, dura 15 dias e pode ser prolongada para 30 mediante pedido. O servidor deve ter no mínimo 16 GB de RAM e quatro discos físicos. A licença chega por WhatsApp ou Telegram, com número, palavra-passe, data de validade e quantidade de PCs na própria conversa. Cada machine ID recebe a licença de teste uma vez.

Todo o pedido de licença de teste está descrito passo a passo no wiki, incluindo onde fica o botão na janela de opções.

O arranque sensato é este: uma máquina de reserva, dois postos da fila de trás, uma sexta-feira normal. Registe dois clientes habituais, deixe as sessões deles correrem pelo sistema e, no fim da noite, compare o relatório com o dinheiro em caixa e com o extrato do MB WAY. Se os números baterem certo, já sabe o suficiente para passar a sala inteira. Duas noites costumam chegar.

E se a dúvida ainda for se vale a pena manter uma casa de LAN aberta em Portugal, o mercado responde de forma bastante direta: os espaços que estão a resistir deixaram de vender ligação e passaram a vender equipamento, tempo e um sítio onde se joga acompanhado. O resto é gestão, e essa parte já não precisa de ser feita a lápis.